domingo, 22 de outubro de 2017

Namorar...

Namorar é saber ceder.

É trocar as festas pelo sofá, é se comunicar por olhares, é ensinar sexo e aprender também. É se abrir pra novos prazeres, é um eterno trabalho em dupla, é absorver as tristezas e as alegrias do outro.

Namorar é viver no plural, mas saber respeitar o singular do outro.
É conciliar o ciúme com a confiança, é fazer cafuné, é provar açaí e perguntar como diabos ela consegue gostar tanto daquela coisa roxa.


Namorar é abrir uma porta imperrada com delicadeza ao invés de forçar até ela quebrar.
É conseguir atravessar barreiras de mãos dadas, é enfrentar os seus piores medos só com a força do amor, é colocar alguém em primeiro lugar e não se abandonar por causa disso. É dar suporte ao invés de querer controlar como quem manipula um fantoche.

Namorar é ser a prova viva de que estar perto não é físico.
É assistir junto um episódio daquela série, é segurar as pontas, é sonhar em conjunto. É conseguir se entender sem trocar uma palavra, é proteger os pontos fracos do outro, é imaginar como seria um futuro ao lado daquela pessoa.

Namorar é sentimento intrínseco.
Namorar é morar.
Morar na.
Outra pessoa.

(Via: Positividade)

domingo, 1 de outubro de 2017

Bono de chocolate ;)

Uma vez minha vó me disse que homem é igual a biscoito: vem um, vêm 18. Eu devia ter uns 15 anos e achei graça. Mas só hoje, 14 anos depois, do alto da minha solteirice, eu compreendi tudo sobre essa teoria. E vi que vovó tinha razão. Funciona assim: quando a gente tá carente, sozinha, solteira, e sai ligando pra todos os paqueras, ex-namorados, rolos e afins, ninguém te quer, não é? Pois é. Essa é a primeira fase: tocos em profusão. Na segunda fase, a gente resolve que não precisa de homem nenhum pra ficar bem, e aí aparece um só pra contradizer nossa certeza de auto-suficiência. Vem todo carinhoso, romântico, paparicante… A gente baixa a guarda, começa a sair com o cara, percebe que ele é interessante, resolve ver no que dá. Vai saindo, conhecendo, ficando… E aí o que acontece? Entra na fase 3: a Teoria do Biscoito. Chega um momento em que tu sente que a historinha tá evoluindo pra um possível compromisso, que está gostando daquele carinha, mesmo que ele não seja o príncipe encantado que sempre habitou seu imaginário de mulherzinha. Só que aí, neste exato momento, TODOS os outros que te dispensaram antes começam a te ligar. Parece que eles farejam no ar, que combinam entre si. Acho que a gente deve exalar algum cheiro diferente que, interpretado pelo cérebro masculino, diz “eu encontrei alguém, não estou disponível”. Imediatamente, você se torna o objeto de cobiça de todos eles. Talvez justamente por estar radiante, feliz e não-disponível. Aí rola aquela sequência inacreditável de acontecimentos fantásticos. Você tá na vernissage com seu novo pretendente e aquele gatinho que você beijou a dois meses e nunca mais deu notícias começa a te ligar. Você vai pra boate sozinha (no dia que seu gatinho resolve ficar em casa descansando) e encontra aquele clone do Rodrigo Santoro, que namorava sua colega de serviço na década passada e ele te olha, te acha linda e quer ficar com você. E aquele outro, que era seu sonho de consumo como namorado perfeito, partidão, mas que sempre te esnobou, começa a te ligar quase diariamente: chama pro cinema, chama pro showzinho, liga para perguntar o que tu tá fazendo, pra te falar do disco novo que comprou, liga só pra ouvir a tua voz…tem gente que acha isso o paraíso. Mas na boa, eu acho que só serve pra atrapalhar. Porque, como mulherzinha do bem que sou, eu só quero essa penca de homens me ligando quando tô na guerra, que é pra poder escolher. Mas depois que eu resolvo sossegar com um, não quero que ninguém fique me ligando pra semear a discórdia e a dúvida na minha mente. Mas o babado é resistir às tentações. De repente, com tantos homens fantásticos te ligando, tu começa a olhar pro seu pretendente atual e a achar que ele não é tão bonito quanto o fulano, nem tão alto e gostoso como o beltrano, nem carinhoso e bem-humorado como o cicrano. Você questiona se não está com ele por pura carência, porque ele apareceu num momento de falta de opções no mercado. E essa é a grande cilada. Muitas não resistem. Dispensam o gatinho atual e tentam administrar todos os outros. Eu já fiz isso. Aí a Teoria do Biscoito entra na fase final: a de que quem come o pacote inteiro tem indigestão. Fica sem ninguém. Todos somem e você fica sozinha, se perguntando como foi que deixou escapar aquele carinha tão legal com quem estava saindo, só por capricho. Eu não sei se funciona assim para todas as pessoas. Mas eu decidi que agora vou dizer um sonoro “não, obrigada” para toda a fila de negrescos com super-cobertura, e ficar sim com aquele que não é negresco, mas é bono de chocolate. Que não é brastemp super-ultra-mega-estrelinha-plus, mas é consul-slim e se encaixa direitinho na minha casa. Que não é o príncipe encantado, lindo, maravilhoso, perfeito, em cima do cavalo branco, mas que é um cara real, de carne e osso, que está do meu lado e quer ficar comigo. Quem me diverte e me agrada e gosta das mesmas músicas que eu, e gosta de dançar música trash dos anos 80, que me apresenta pros amigos sem nenhuma cerimônia, que fica bolando pequenas surpresas pra me fazer e que é, sim, muito lindinho à sua maneira. Simples assim. Se não der certo, não deu. Faz parte da vida. Mas eu não preciso comer o pacote inteiro de negresco pra saber que um bono de chocolate me satisfaz.



— Martha Medeiros.

domingo, 3 de setembro de 2017